
À Beira da Piscina (Swimming Pool, 2003), longa-metragem franco-inglês de suspense dramático, com classificação indicativa 16 anos e 103 minutos de duração, dirigido por François Ozon.
Trata-se de um thriller psicológico que desafia as fronteiras entre realidade e imaginação. Estrelado por Charlotte Rampling e Ludivine Sagnier, o filme acompanha a escritora britânica Sarah Morton, que busca inspiração na casa de campo de seu editor no sul da França. A chegada inesperada de Julie, filha do editor, transforma a rotina de Sarah e desencadeia uma espiral de tensão, erotismo e ambiguidade narrativa.
Ozon constrói uma trama que se desenrola como um quebra-cabeça. A relação entre Sarah e Julie é marcada por contrastes: enquanto Sarah é reservada e metódica, Julie é impulsiva e provocadora. Essa dinâmica alimenta o conflito central do filme — a tensão entre controle e liberdade, repressão e desejo.
Sarah Morton é uma personagem complexa, marcada por frustrações criativas e emocionais. Julie, por sua vez, funciona como um catalisador — uma figura que desafia, seduz e perturba.
O filme é menos sobre o que acontece e mais sobre como interpretamos o que acontece. A ambiguidade é deliberada: o espectador é constantemente levado a questionar o que é real, o que é fantasia e o que é projeção da mente criativa de Sarah. O final, em especial, subverte expectativas e convida à releitura de toda a narrativa.
Seria Julie uma manifestação da psique de Sarah? Uma personificação de seus desejos reprimidos e da liberdade que ela não se permite viver? Essa leitura é reforçada pela estrutura do filme, que se aproxima de um diário íntimo ou de um romance em construção. Ozon brinca com a ideia de que a história que vemos pode ser, na verdade, o livro que Sarah está escrevendo — uma ficção inspirada por sua estadia e suas fantasias.
Quanto aos aspectos técnicos, visualmente, o longa é elegante e minimalista. A casa, a piscina e os espaços ao redor funcionam como cenários simbólicos — lugares de introspecção, sedução e transformação. A direção de fotografia privilegia luz natural e composições sutis, criando uma atmosfera de suspense contido e sensualidade latente. A trilha sonora discreta e os silêncios prolongados contribuem para o clima de inquietação.
Com toda essa construção, Ozon visa evitar explicações fáceis, apostando em uma linguagem cinematográfica que valoriza o não dito, o insinuado e o subjetivo. Com uma narrativa ambígua e uma estética refinada, François Ozon cria uma obra que funciona como espelho — refletindo os desejos, medos e fantasias de suas personagens e, por extensão, do próprio espectador.
“Swimming Pool – À Beira da Piscina” é uma experiência cinematográfica que convida à reflexão e à revisão, onde cada detalhe pode ter múltiplos significados — e onde o mergulho mais profundo é sempre interior.














