Jovens Amantes (por Peter P. Douglas)

            Jovens Amantes (Les Amandiers AKA Forever Young, 2022), longa-metragem franco-italiano de comédia dramática, distribuído pela Pandora Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 03 de julho de 2025, com classificação indicativa 16 anos e 128 minutos de duração.

            Um grupo de jovens estudantes de teatro, cheios de ambição, conquista uma vaga na prestigiada École des Amandiers, localizada em Nanterre e liderada por Patrice Chéreau (vivido por Louis Garrel), no envolvente filme dirigido por Valeria Bruni Tedeschi. Ex-aluna de Chéreau no início dos anos de 1980 — época em que a história se passa — Bruni Tedeschi injeta uma energia intensa e vibrante neste retrato eletrizante e cômico de um quarteto de jovens (Stella, Adèle, Victor e Etienne) apaixonados por teatro e pelo próprio drama.

            A atuação carregada de intensidade pode não agradar a todos e o filme, por vezes, soa exaustivo e até estressante, sobretudo para os mais introspectivos. Ainda assim, há uma vivacidade contagiante na narrativa, que se desenvolve como uma colagem emocional de lembranças vívidas, centrada — mas não exclusivamente — em Stella (interpretada por Nadia Tereszkiewicz), o alter ego da própria diretora.

            O filme é um relato visceral e comprometido, considerado talvez o trabalho mais impactante de Bruni Tedeschi até o momento. Apesar de sua estética não ser unanimidade, o longa tem apelo comercial graças à sua tragicomédia ampla e ao elenco marcante e fotogênico.

            “Cuidado para não enlouquecer”, adverte o mordomo de Stella, dirigindo-se a ela e à nova melhor amiga, Adèle (Clara Bretheau). Ele ainda alerta que seguir a carreira de atriz é “queimar a vida” e, quase inevitavelmente, acabar sozinha e infeliz. Adèle reage com um sorriso debochado e revira os olhos. Afinal, ambas têm pouco mais de 20 anos e se sentem invencíveis. Uma cena ilustra bem esse espírito juvenil: uma aluna é incentivada a atravessar vários sinais vermelhos, contando apenas com a sensação de imortalidade típica da juventude.

            Chéreau e seu colega mais sereno, Pierre Romans (Micha Lescot), assim como o próprio longa, têm como objetivo desarmar essa couraça de invulnerabilidade dos alunos e revelar suas almas autênticas, frágeis e intensas. O que começa com audições recheadas de humor e empolgação gradualmente assume um tom mais denso e dramático, conforme Stella e seu círculo se confrontam com perdas e desafios.

            Stella logo se vê atraída por Etienne (Sofiane Bennacer), um colega melancólico, e é ingênua o suficiente para relevar seu charme canastrão à la Brando e suas experiências com heroína (“Eu posso parar quando quiser”). Mesmo diante de comportamentos ciumentos e explosivos, ela o defende, para frustração de Adèle.

            Ao redor deles, surgem conflitos como o medo da AIDS, gravidez inesperada, um aborto e a encenação de “Platonov”, primeira peça de Tchekhov, em uma montagem visivelmente improvisada.

            O longa se permite momentos de indulgência — muitos, na verdade. Um deles é a cena final em que Stella retorna ao Instituto Lee Strasberg, em Nova York, e descobre na improvisação uma espécie de catarse curativa. Apesar da estrutura narrativa um tanto fragmentada, essa abordagem contribui para manter o ritmo acelerado, a energia pulsante e o enredo vibrante, sempre escapando do risco de cair na caricatura.

Compartilhe