13 Dias, 13 Noites (por Peter P. Douglas)

13 Dias, 13 Noites (13 Jours, 13 Nuits AKA 13 Days, 13 Nights, 2025), longa-metragem francês de drama de guerra, distribuído pela Califórnia Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 26 de março de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 112 minutos de duração.

Cabul, Afeganistão. 15 de agosto de 2021. Enquanto os EUA fazem as malas, desligam as luzes e deixam a chave debaixo do tapete, o Talibã entra na capital como quem chega atrasado para uma festa — mas ainda assim toma conta do lugar. No meio dessa confusão digna de temporada final de série, o comandante Mohamed Bida e sua equipe tentam manter a embaixada francesa funcionando. Sim, a francesa. Aquela que decidiu ficar aberta porque, aparentemente, nada é motivo suficiente para fechar o expediente.

Encurralado, Bida resolve negociar com o Talibã — afinal nada diz “dia normal no trabalho” como conversar com fundamentalistas armados — para organizar um último comboio de evacuação. Ele conta com Eva, uma jovem humanitária franco-afegã que claramente não ganha o suficiente para lidar com esse tipo de coisa. Começa então uma corrida contra o tempo para tirar refugiados do inferno que se tornou Cabul antes que o Talibã decida que ninguém mais sai.

“13 Dias, 13 Noites” promete narrar a missão final da embaixada francesa durante a queda de Cabul. Adaptado do livro autobiográfico “O Inferno de Cabul”, do próprio comandante Bida, o filme tinha tudo para ser um “Argo” francês ou um “A Hora Mais Escura” com croissant. Mas… não é. O título promete 13 dias e 13 noites, mas o roteiro cobre três dias. Três. É como pedir um combo gigante e receber um mini lanche.

O diretor Martin Bourboulon entrega um filme que tenta muito, mas tropeça em alguns momentos. E, claro, adiciona tramas ficcionais desnecessárias, como a de Eva e sua mãe jornalista. E os refugiados afegãos? Nada de histórias, nada de profundidade, nada de humanidade. É quase como se o filme tivesse medo de deixar afegãos falarem no próprio filme sobre afegãos.

O produtor Dimitri Rassam deu dinheiro, helicópteros, figurantes, explosões e tudo mais para o diretor fazer um espetáculo. E, de fato, as cenas iniciais são grandiosas. A reconstituição é convincente — filmaram no Marrocos, porque Cabul real estava… ocupada. Contudo, a direção é tão acadêmica que parece tese de mestrado filmada.

Mas nem tudo está perdido. O elenco e a tensão salvam o filme de qualquer colapso. Roschdy Zem é um comandante perfeito: firme, atormentado, intenso, com aquela energia de “não tenho tempo para isso”. Lyna Khoudri entrega uma humanitária sensível e convincente, e Sidse Babett Knudsen interpreta uma jornalista que faria qualquer editor chorar de orgulho (ou medo).

No fim, “13 Dias, 13 Noites” é clássico, correto, com bons atores e uma história real extraordinária — que poderia ter sido uma obra mais ousada. Ainda assim, vale assistir para conhecer a operação de exfiltração e para ver Roschdy Zem carregando o longa nas costas como se fosse mais um refugiado para salvar.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *